Pousou a mão sobre o tempo e o embaralhou:
cartas amareladas
brotaram de sua manga.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
terça-feira, 16 de outubro de 2012
É minha mão...
É minha mão,
quem fala por mim,
aqui.
É ela a divina proporção,
a fronteira que conquista
tua fronteira,
a membrana do infinito.
É dela, todo poder e ostentação,
todos os sentidos
e todo sentido.
É minha mão
meu inesquecível rosto.
quem fala por mim,
aqui.
É ela a divina proporção,
a fronteira que conquista
tua fronteira,
a membrana do infinito.
É dela, todo poder e ostentação,
todos os sentidos
e todo sentido.
É minha mão
meu inesquecível rosto.
domingo, 14 de outubro de 2012
(Meta)²morfose
Aquilo que pousou aqui
foi nada mais que um alfinete
na gravata do meu dia.
Um brilho, apenas,
um espinho
com destino e sem caminho -
a verdade perde um botão... que cai,
rola,
dança
e repousa.
Da borboleta, brotou a flor.
foi nada mais que um alfinete
na gravata do meu dia.
Um brilho, apenas,
um espinho
com destino e sem caminho -
a verdade perde um botão... que cai,
rola,
dança
e repousa.
Da borboleta, brotou a flor.
A paz inexistente
Eis que,
externa ao ciclo,
uma estação cumpre a sentença.
Recolhe, lastro por lastro,
âncoras
trazidas pelo vento.
É dia de festa, na trincheira - e plumas
de pássaros terminados
estrepitam no céu azul imenso.
Soldados abraçam-se
às mães dos inimigos mortos
e entregam rosas aos futuros pesadelos.
No mar, no horizonte,
despede-se
o último sol do não-outono.
externa ao ciclo,
uma estação cumpre a sentença.
Recolhe, lastro por lastro,
âncoras
trazidas pelo vento.
É dia de festa, na trincheira - e plumas
de pássaros terminados
estrepitam no céu azul imenso.
Soldados abraçam-se
às mães dos inimigos mortos
e entregam rosas aos futuros pesadelos.
No mar, no horizonte,
despede-se
o último sol do não-outono.
terça-feira, 17 de julho de 2012
It's just another town, along your road.
Before I Forget
Por mais que eu não queira ficar em silêncio, é praticamente por obrigação que escrevo este texto. Obrigação que o coração obriga, e não tenho como desobedecer.
Ontem, morreu a maior referência que eu tinha, depois de meu pai. Não era meu parente, não era meu amigo de infância, sequer sabia que eu existo, e vim até aqui, pra falar dele.
Porque, desde que, há uns 20 anos, eu ouvi sua música pela primeira vez, ela passou a fazer parte de mim e eu dela. Eu só sou músico por causa dela. Muitas vezes, foi por causa dela que eu fiz questão de ser alguma coisa, e foi através dela que eu fiz questão de acreditar que existe algo acima dos homens e de suas crenças, capaz de mover e purificar seus corações de carne, e de torná-los imortais. Quando tudo vertia em negra torrente para os abismos, foi sua música cheia de vida e coragem que desafiou os ventos, pra me resgatar do inferno. E foi ela quem fez tudo valer a pena. Porque, sim... ainda que não houvesse pra mim cor, sabor,calor, frio, desejo nem perfume, teria valido a pena por existir sua música, e tudo faria sentido, como continua fazendo e fará.
E é ela quem vai mantê-lo e a mim mesmo, aqui, comigo, se um dia todo o mais fugir ou se esquivar de mim.
Eu rogo pra que alcances, agora, mares menos sombrios e mais condizentes com aquilo que trazias contigo, velho mestre. Rogo para que uma mínima fagulha de tua música, tão perfeita, sublime e benfazeja possa voar de vez em quando do meu sopro, para espalhar a bênção da vida nos corações de carne, tão sofridos, carcomidos e embrutecidos quanto o meu, fazendo-os vibrar em diapasão com aquilo que de mais sagrado o homem possa trazer ao homem.
Teu lugar seja o lugar dos maiores, meu velho mestre.
Meu velho e querido Lord.
Por mais que eu não queira ficar em silêncio, é praticamente por obrigação que escrevo este texto. Obrigação que o coração obriga, e não tenho como desobedecer.
Ontem, morreu a maior referência que eu tinha, depois de meu pai. Não era meu parente, não era meu amigo de infância, sequer sabia que eu existo, e vim até aqui, pra falar dele.
Porque, desde que, há uns 20 anos, eu ouvi sua música pela primeira vez, ela passou a fazer parte de mim e eu dela. Eu só sou músico por causa dela. Muitas vezes, foi por causa dela que eu fiz questão de ser alguma coisa, e foi através dela que eu fiz questão de acreditar que existe algo acima dos homens e de suas crenças, capaz de mover e purificar seus corações de carne, e de torná-los imortais. Quando tudo vertia em negra torrente para os abismos, foi sua música cheia de vida e coragem que desafiou os ventos, pra me resgatar do inferno. E foi ela quem fez tudo valer a pena. Porque, sim... ainda que não houvesse pra mim cor, sabor,calor, frio, desejo nem perfume, teria valido a pena por existir sua música, e tudo faria sentido, como continua fazendo e fará.
E é ela quem vai mantê-lo e a mim mesmo, aqui, comigo, se um dia todo o mais fugir ou se esquivar de mim.
Eu rogo pra que alcances, agora, mares menos sombrios e mais condizentes com aquilo que trazias contigo, velho mestre. Rogo para que uma mínima fagulha de tua música, tão perfeita, sublime e benfazeja possa voar de vez em quando do meu sopro, para espalhar a bênção da vida nos corações de carne, tão sofridos, carcomidos e embrutecidos quanto o meu, fazendo-os vibrar em diapasão com aquilo que de mais sagrado o homem possa trazer ao homem.
Teu lugar seja o lugar dos maiores, meu velho mestre.
Meu velho e querido Lord.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Abril
Dispo-me da nudez perfeita
dos erros.
Sou inteiro, mais uma vez,
ao abraço balsâmico do Outono.
Manhã de céu, manhã de mim,
o sol sorve o maná que deixei, o meu caminho,
meus passos mortos, meu mortal salto, meu vôo livre.
É Outono... venço!
Há viço e voracidade, em cada pena trocada, tocada pelo vento.
Há fio novo, de corte certeiro, de chuva de flechas. Há vida sobre os destroços
dos escudos quebrados, dos casulos rasgados.
É Outono... a cavalaria chega e fende o cerco cáustico do Verão.
O Sol me envia seus diplomatas, capitula, resgata a paz,
refém de um poço de sangue
que, novamente, bombeia.
O céu anuncia, em nuvens brancas,
seu maravilhoso retorno.
dos erros.
Sou inteiro, mais uma vez,
ao abraço balsâmico do Outono.
Manhã de céu, manhã de mim,
o sol sorve o maná que deixei, o meu caminho,
meus passos mortos, meu mortal salto, meu vôo livre.
É Outono... venço!
Há viço e voracidade, em cada pena trocada, tocada pelo vento.
Há fio novo, de corte certeiro, de chuva de flechas. Há vida sobre os destroços
dos escudos quebrados, dos casulos rasgados.
É Outono... a cavalaria chega e fende o cerco cáustico do Verão.
O Sol me envia seus diplomatas, capitula, resgata a paz,
refém de um poço de sangue
que, novamente, bombeia.
O céu anuncia, em nuvens brancas,
seu maravilhoso retorno.
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