Queima minha pele
o perfume
de tua chama fria.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
Visitação
Sempre que ela passa por aqui,
o cheiro fica.
Fica em mim, nas roupas, na pele
e, mesmo depois de dias,
ainda consigo sentir uma nota e outra,
perambulando pelo quarto,
adormecidas nos lençóis e nos travesseiros.
Por aqui, ela também deixa cabelos.
Fios de ônix, que encontro presos aqui e ali,
e que me fazem ter certeza, de que as coisas aconteceram.
Fico com vontade de usá-los, para clonagem,
e assim, poder tê-la, toda vez que eu quiser.
E deixar que ela deite a cabeça no meu peito,
e buscar água e alguma besteira na cozinha, pra ela.
E fechar os olhos e beijar sua boca, e segurar sua mão pequena
na minha, deixando os dedos preencherem os vãos
dos dedos dela.
Nos intervalos, conversamos, sobre várias coisas,
e eu tenho uns olhos que gostam muito de olhar,
quando gosto do que olho.
Mas isso a desarma,
como se ela pensasse que eu sei o que se passa
dentro de sua cabeça de menina e de moça.
Então, ela cora e ri, sem-graça. E eu sinto que toquei
uma planta-dormideira, o que é uma pena.
Ela está segura, dentro de seus olhares perdidos,
por baixo de suas sobrancelhas que lembram
fios perdidos de nuvens negras no céu.
Eu não faço ideia do que ela pensa,
nem do que sente, eu só olho,
comovido
e sem tranquilidade,
Deitado, como um sátiro domado.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
De Maria Gabriela Saldanha
Faz, sei lá, sete anos que este blog existe, e eu nunca havia cogitado postar algo de outra autoria aqui. Mas arrematei este quadro, profundo e exato auto-retrato meu, pintado pela mão da maior poetisa viva que conheço, e que agora exponho na acarpetada parede carmesim deste labirinto.
Eu não sei por que te amo.
Acho que por uma dessas belezas tão cruéis quanto incalculáveis
(As que nomeiam as genialidades das estrelas).
Deus colocou sua mão de ouro em minha carne e todos os ecumenismos nasceram de meu ventre. Porque te amo.
Não sei ainda por que meu coração bate na língua de uma criança ou na espinha dorsal de uma orquestra quando penso que te amo.
Não sei por que o esquecimento não me adormece aos sábados.
Nem por que minha sombra dança tambores quando me aprisiona a rotina e lembro que te amo.
Eu não sei por que não me morre esse fragmento de vida insolúvel, que é amar-te.
Nem por que não me envelhecem meninos, nessa festa infinita que é meu rosto a poucos centímetros dos teus abismos.
Só sei que te amo, apenas e apesar. Desde então, todo o inexplicável repousa no colo das mães e dos dias.
Não sei quando molho a terra com tua sede ou quando apaziguo soldados com tua fúria de homem.
Nem mesmo quando desescrevo diários ou desinvento futuros por teu egoísmo, a quem escolhi chamar esperança.
Desesperam-me auroras, desencorajam-me flores e outras fêmeas perturbações sacerdotisam minha espera.
Não sei por que te amo.
Por que não me perdoo por um orvalho, uma Lua, um girassol.
Por que me condenei a assentar séculos sob a memória de instantes – como Orixás e seus códigos.
Não sei por que te amo,
Mas sei que verbos me doam e galáxias me assombram em teu nome.
Eu não sei por que te amo.
Acho que por uma dessas belezas tão cruéis quanto incalculáveis
(As que nomeiam as genialidades das estrelas).
Deus colocou sua mão de ouro em minha carne e todos os ecumenismos nasceram de meu ventre. Porque te amo.
Não sei ainda por que meu coração bate na língua de uma criança ou na espinha dorsal de uma orquestra quando penso que te amo.
Não sei por que o esquecimento não me adormece aos sábados.
Nem por que minha sombra dança tambores quando me aprisiona a rotina e lembro que te amo.
Eu não sei por que não me morre esse fragmento de vida insolúvel, que é amar-te.
Nem por que não me envelhecem meninos, nessa festa infinita que é meu rosto a poucos centímetros dos teus abismos.
Só sei que te amo, apenas e apesar. Desde então, todo o inexplicável repousa no colo das mães e dos dias.
Não sei quando molho a terra com tua sede ou quando apaziguo soldados com tua fúria de homem.
Nem mesmo quando desescrevo diários ou desinvento futuros por teu egoísmo, a quem escolhi chamar esperança.
Desesperam-me auroras, desencorajam-me flores e outras fêmeas perturbações sacerdotisam minha espera.
Não sei por que te amo.
Por que não me perdoo por um orvalho, uma Lua, um girassol.
Por que me condenei a assentar séculos sob a memória de instantes – como Orixás e seus códigos.
Não sei por que te amo,
Mas sei que verbos me doam e galáxias me assombram em teu nome.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Cama de gato
Crianças invisíveis
despertam,
assim que nos abraçamos
e dormimos.
E brincam ao nosso redor.
Iluminadas apenas
por um acorde
de velas acesas.
Não as vemos, quando acordamos.
Só sabemos que estiveram aqui,
porque teceram emaranhados
com nossos dedos
entrelaçados.
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