quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Insônia



Farpadas pálpebras
do espelho
da carne viva.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Croupier

A mão invisível
desaloja, desabriga,
recolhe ao invisível.

A mão invisível tem
vontade e cegueira próprias
e subtrai sem tomar posse.

Porque nada fica onde se deixa.
Porque nada fica.

Só a mão permanece.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Itadakimasu

Deixa... não retém.
Lamber na tua pele
um pecado apócrifo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais uma vez Afrodite

Nasce de novo
do sêmen caído
na seda vermelha.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ninguém Chorou por Afonso, Quando Ele Morreu



Os bêbados dormiram no bar.
As putas viram TV.
O maluco da praça tocou bronhas,
enquanto as beatas passavam
e se persignavam.
O cão lambeu os bagos, e se coçou com os dentes.
O coveiro errou na mistura da massa.

Depois de três dias, começou a feder.

sábado, 27 de abril de 2013

O tempo vai te matar. 
Aos poucos, ele vai te arrancando pedaços, membros
e órgãos vitais e vai deixando sua voz por último.
Um dia, você vai cantar
sua última canção, dar o último grito, e desaparecer da existência.
Depois das primeiras noites, chorando, as pessoas contarão suas histórias, as falsas e as vividas... e você não estará mais aqui, pra ouvir e gargalhar.
O que sobrar de você fará chiados de disco velho, quando mencionarem seu nome.
Você será um fantasma e um gosto ruim, nos pesadelos de quem já dormiu com você.

terça-feira, 19 de março de 2013

Epopeia sem início

... E na lama, derretido, ele morreu. Sua última impressão foi de que as coisas estavam finalmente ganhando forma, e que se completariam na escuridão. Pensou na infância, se viu criança, correndo pra longe, de braços abertos. Nunca estivera aqui.